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No fim de um dia ou após uma dura e longa semana, me dirijo ao meu discreto
hangar lá no Aeroporto Teruel, construído a duras penas, deixando
de lado momentos prazerosos com a Tatiana e com meus filhos, a ficar
envolvido com aquele projeto que parecia nunca chegaria ao fim.
Aquele
inacabado hangar, ainda carente de melhorias se mistura com vários outros
hangares alinhados e empoeirados, mas em meio ao cântigo daqueles malvados
pardais eu me alegro. Dentro deste hangar existe uma carapaça metálica
vermelha e branca que, durante dois anos, em muitos finais de semanas eu
ajudei rebitar com as minhas próprias mãos.
É como se um alfaiate a tivesse
feito para servir perfeitamente em mim. Quando eu entro dentro desta redoma,
eu me desligo de minha vida, e por algum tempo vou desafiar a gravidade.
Meus espíritos se levitam enquanto as preocupações do mundo são deixadas em
terra; percebo como são realmente pequenos os meus problemas, enquanto eu
vejo minúsculos veículos trafegando por também minúscula rodovia, vejo um
pôr do sol tardio que ninguém tem o privilégio de ver, ou em raras vezes
quando de manhã vejo um nascer do sol antes que qualquer pessoa possa
apreciar, e também uma lagoa dourada brilhando que se curva além da
distância entre aquelas chácaras.
Após algum tempo eu volto e desembarco
deste meu terno de metal, e transformo-me novamente em uma pessoa normal,
mas quando eu retorno aos meus problemas, que de algum modo já não são mais
tão pesados, meu carro encontra seu caminho de volta enquanto eu sonho na
próxima vez em poder desafiar a gravidade e me embrenhar nos prazeres que
muitos jamais sentirão.
Isto é o
que meu Mustang II significa pra mim"
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